Primeiro de Julho
Farei os versos mais tristes essa noite.
Na partilha de nos dois, coube a mim essa canção desesperada.
Sentado num meio fio,
Perplexo, no centro de mim,
Desfaço o primeiro laço
Desembaraço tristeza, junto palavra e tropeço
Alinhavo com fio de aço.
Improviso um primeiro verso
Antes do fim de nós dois.
.
Antes que ele chegue,
Trazendo Agosto na bagagem,
Estarei pelas praças, nos cafés
Entre os dentes o instante , e outro mais em seu encalço.
Engolirei fibras, proteínas, migalhas,
Mastigando bem as palavras, sem distinçao.
Talvez uma cusparada na calçada,
Antes do fim de nos dois.
Quantas linhas de cozer
Para remendar minha urdidura,
Antes que o cachorro louco,
Abocanhe o calcanhar exposto.
Quantos adjetivos gastos, rotos, puidos.
Quantos verbos de rasgar, cerzir,
Palavras antigas, repetidas,
Perfuradas por meus caninos
Antes do fim de nos dois.
Enquanto Agosto se aproxima
(Mais um verso antes do fim)
Os barbaros nao virao
(Mais um verso antes
do fim)
O tirano condecora o carrasco!
(Mais um verso antes do fim)
Uma corda alcança o galho,
(Mais um verso antes do fim)
Um espinho me atravessa garganta!
(Mais um verso antes do fim)
Pequenos agulhas me perfuram as retinas
Mais um verso
Mais um verso antes do fim!-
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