quinta-feira, 17 de novembro de 2022

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Uns minutos de exílio

Que sutil meu exílio:

Tenho por morada da saudade 

Aquela curta madruga,

Uma gata entre as pernas 

E um futuro que não foi.





terça-feira, 27 de setembro de 2022

 Te olhando nos olhos descobri que  a imprecisão é a forma mesma do amor.  Melisma entre o Oliva e o verde claro coral 

Descobri, te observando as mãos, a precisão magra recriando dragões em guardanapos de papel.

Descobri, te ouvindo a voz de musgo, que a felicidade volta mansa, mesmo que por um momento, mesmo que em meia madrugada, num espectro fugidio de onda, música e cor












segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Poema dos olhos de um verde impreciso 2- Perigo

 As sereias tímidas que moram nos seus olhos

não sabem ainda que sabem cantar.

Desavisadas,

 me convidam a naufrágios,

sem dar por isso.


Sigo então a lição do poeta:

enquanto você canta,

me amarro ao mastro,

tapo os ouvidos com cera de abelha.

Não vou submergir.

Não desejo me afogar.


Mas seu canto, avesso de farol,

Iris de um verde impreciso,

me afasta da terra.

 Vozerio de espuma, melopeia de brisa, cantilena que empurra

minha embarcação para o alto mar.

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Olhos de verde impreciso

 Não te peço nada.

Também há delicadeza no amor

que não se consumou na madrugada.

Alfinetes espetando as núvens,

Nuvens que nunca serão corpo,

Corpo que, num tremor de frio, 

febre,

desejo,

Se percebe vivo outra vez.


Não te peço nada,

Só sua presença impressionista

de esverdeado impreciso.

E esse silêncio,

meio medo e mistério,

sem nenhuma explicação.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Em segunda pessoa

Que pedra é essa que  atiro à janela,

Pra  te acordar na madrugada?

Sei bem,

Não é simples adormecer.

Tampouco é simples despertar.

Sei também do meu assombro

 E dessa longa vigília  

sob essa janela de um sobrado onde já não vives mais.


Sei que esse quartzo rosado,

Se atirado sem cuidados de artista,

Pode quebrar tuas vidraças, 

Pode ferir teu rosto,

Que dorme.


Entre minhas mãos,

Escondo  essa rosácea de oxigênio e silício

Como se pássaro vivo fosse.

A pedra que pulsa.

Eros  granito,

Cor evanescente e memória carcomendo a palma.

Ela vem de antes das gentes

Antes de réptil, de pássaro, peixe.

De antes das espécies, antes mesmo da vida.

Antes do antes do tempo.


Se decido atira- la mais uma vez,

Impossível calcular a parábola 

Desse projétil.

Acerta acarinhando? Fere quando canta? É estilhaço esse meu acalanto ?

Quereria somente assoprar um segredo 

Ao teu ouvido 

Sem alarido, 

sem assombro, sem tremor.


Há algo de eterno nas pedras 

E  esse cristal, 

Como se pássaro vivo fosse,

Ameaça teu sono.

Ouves já seu repique na vidraça da manhã?