Enquanto Agosto se aproxima
sexta-feira, 21 de outubro de 2022
Uns minutos de exílio
Que sutil meu exílio:
Tenho por morada da saudade
Aquela curta madruga,
Uma gata entre as pernas
E um futuro que não foi.
terça-feira, 27 de setembro de 2022
Te olhando nos olhos descobri que a imprecisão é a forma mesma do amor. Melisma entre o Oliva e o verde claro coral
Descobri, te observando as mãos, a precisão magra recriando dragões em guardanapos de papel.
Descobri, te ouvindo a voz de musgo, que a felicidade volta mansa, mesmo que por um momento, mesmo que em meia madrugada, num espectro fugidio de onda, música e cor
terça-feira, 30 de agosto de 2022
segunda-feira, 1 de agosto de 2022
Poema dos olhos de um verde impreciso 2- Perigo
As sereias tímidas que moram nos seus olhos
não sabem ainda que sabem cantar.
Desavisadas,
me convidam a naufrágios,
sem dar por isso.
Sigo então a lição do poeta:
enquanto você canta,
me amarro ao mastro,
tapo os ouvidos com cera de abelha.
Não vou submergir.
Não desejo me afogar.
Mas seu canto, avesso de farol,
Iris de um verde impreciso,
me afasta da terra.
Vozerio de espuma, melopeia de brisa, cantilena que empurra
minha embarcação para o alto mar.
quarta-feira, 29 de junho de 2022
Olhos de verde impreciso
Não te peço nada.
Também há delicadeza no amor
que não se consumou na madrugada.
Alfinetes espetando as núvens,
Nuvens que nunca serão corpo,
Corpo que, num tremor de frio,
febre,
desejo,
Se percebe vivo outra vez.
Não te peço nada,
Só sua presença impressionista
de esverdeado impreciso.
E esse silêncio,
meio medo e mistério,
sem nenhuma explicação.
segunda-feira, 20 de setembro de 2021
Em segunda pessoa
Que pedra é essa que atiro à janela,
Pra te acordar na madrugada?
Sei bem,
Não é simples adormecer.
Tampouco é simples despertar.
Sei também do meu assombro
E dessa longa vigília
sob essa janela de um sobrado onde já não vives mais.
Sei que esse quartzo rosado,
Se atirado sem cuidados de artista,
Pode quebrar tuas vidraças,
Pode ferir teu rosto,
Que dorme.
Entre minhas mãos,
Escondo essa rosácea de oxigênio e silício
Como se pássaro vivo fosse.
A pedra que pulsa.
Eros granito,
Cor evanescente e memória carcomendo a palma.
Ela vem de antes das gentes
Antes de réptil, de pássaro, peixe.
De antes das espécies, antes mesmo da vida.
Antes do antes do tempo.
Se decido atira- la mais uma vez,
Impossível calcular a parábola
Desse projétil.
Acerta acarinhando? Fere quando canta? É estilhaço esse meu acalanto ?
Quereria somente assoprar um segredo
Ao teu ouvido
Sem alarido,
sem assombro, sem tremor.
Há algo de eterno nas pedras
E esse cristal,
Como se pássaro vivo fosse,
Ameaça teu sono.
Ouves já seu repique na vidraça da manhã?
