quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Lembrando whitman

 Não sabia que dormia.

Nem tampouco me cortava,

Enquanto entre dentes triturava 

as lentes dos meus óculos bifocais.


Cega, a noite avançava em madrugada,

contra a luz amarelada,

E as lembraças forravam de cadáveres meu assoalho de madeira.


Não sabia que dormias.

(Projéteis contra a luz da sala)

Não sabia se dormias.

(Campanário de abelhas cegas)

Não sabia, mas dormias.


Não sabia eu que dormia 

até o despertar do dia.

Minha cabeça repousada num poema de Walt Whitman.


As abelhas entre suas barbas.

Zumbido sob o lençol

Os bifocais surdos ao  lado

Era o amanhã. E só.





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