Não sabia que dormia.
Nem tampouco me cortava,
Enquanto entre dentes triturava
as lentes dos meus óculos bifocais.
Cega, a noite avançava em madrugada,
contra a luz amarelada,
E as lembraças forravam de cadáveres meu assoalho de madeira.
Não sabia que dormias.
(Projéteis contra a luz da sala)
Não sabia se dormias.
(Campanário de abelhas cegas)
Não sabia, mas dormias.
Não sabia eu que dormia
até o despertar do dia.
Minha cabeça repousada num poema de Walt Whitman.
As abelhas entre suas barbas.
Zumbido sob o lençol
Os bifocais surdos ao lado
Era o amanhã. E só.
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