domingo, 20 de dezembro de 2020

 Nenhum  abraço sob a marquise da Faria Lima,

quando desabou o mundo.

Sob as proteções de concreto 

há sinais de medo ainda.

A engenharia, falsos amores , alguns milênios, não bastaram para apaziguar  tremores.

Para-raios,  despachos, ansiolíticos e guarda- chuvas,

nada nos protege do pavor torrencial,

trazido pelo vento que vem subindo a Serra do Mar.

Há os telhados de palha, 

que nas florestas protegem da fúria dos Deuses e da queda do galho.

Há  telhas de barro, engenho de coxa feminina  embalando a cria.

Que dorme.

Há histórias  que põem doçura no choro e nos rugidos.

Mas sob a marquise da Faria Lima,

enquanto a cidade dos homens desmorona,

É toda a civilização, nossos mortos e nossas perguntas, que tremem,

Com a falta de um só abraço.

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