Nenhum abraço sob a marquise da Faria Lima,
quando desabou o mundo.
Sob as proteções de concreto
há sinais de medo ainda.
A engenharia, falsos amores , alguns milênios, não bastaram para apaziguar tremores.
Para-raios, despachos, ansiolíticos e guarda- chuvas,
nada nos protege do pavor torrencial,
trazido pelo vento que vem subindo a Serra do Mar.
Há os telhados de palha,
que nas florestas protegem da fúria dos Deuses e da queda do galho.
Há telhas de barro, engenho de coxa feminina embalando a cria.
Que dorme.
Há histórias que põem doçura no choro e nos rugidos.
Mas sob a marquise da Faria Lima,
enquanto a cidade dos homens desmorona,
É toda a civilização, nossos mortos e nossas perguntas, que tremem,
Com a falta de um só abraço.
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