quarta-feira, 3 de julho de 2019


Como arqueólogo que procura o primeiro traço traçado nas paredes  da caverna de  Lascuaux,
Peço que você acenda a luz,
E me deixe ver, mais uma vez, sua cicatriz.

Esse risco que inaugura a nossa história,
Traço na carne que se curva em versos
Num desenho de você:
Seu tórax de bisão
Braços, pernas  e seus olhos,
Desenhados por uma criança triste num pedaço de papel

Como turista que perplexo se posta  diante de um Príapo pintado na parede de uma casa em Pompéia,
Peço pra rever sua nudez,
Para encontrar formas novas de dizer pênis, falo pau, e assim reter em palavras esse pedaço de mim exilado na carne de outro.


Como amante, que surpreendido pela  forma de um beijo cravado  nas rochas de Altamira,
  Esforço- me para lembrar do último que trocamos.
Uma sucessão de beijos talhados nas pedras e nos poemas, testemunhando a presença pré- historica dos amores, até chegar em nosso beijo de adeus.

Colecionador de miudezas e relíquias,
 cruzo a  cidade.
Busco minuciosamente  um coração qualquer atravessado por alguma  flecha esculpido no corpo das árvores partidas.
Persigo, no mapa ambíguo das palavras,
A trilha perdida de nosso caminho.
Para me  reconstruir,
Enfim!
Nas pegadas de nós dois.

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