sábado, 27 de fevereiro de 2021

À espera

Deitado à direita, o jovem semideus, de olhos semicerrados, sente um estilete perfurando suas mais caras certezas.
Se contorce.  Recria as linhas do corpo na dança das dores.

Deitada à esquerda, a velha senhora dorme. Sonha a alegria do Ora-pro-Nobis sob a chuva rala e a solidão dos pratos sujos sobre a mesa que ninguém se lembrou de retirar.

Jalecos indiferentes surgem e logo desaparecem, alterando ao acaso a  simetria da pintura.

Entre a dança e o sonho, o tempo me encara, propondo uma outra vez os seus enigmas.

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