Que pedra é essa que atiro à janela,
Pra te acordar na madrugada?
Sei bem,
Não é simples adormecer.
Tampouco é simples despertar.
Sei também do meu assombro
E dessa longa vigília
sob essa janela de um sobrado onde já não vives mais.
Sei que esse quartzo rosado,
Se atirado sem cuidados de artista,
Pode quebrar tuas vidraças,
Pode ferir teu rosto,
Que dorme.
Entre minhas mãos,
Escondo essa rosácea de oxigênio e silício
Como se pássaro vivo fosse.
A pedra que pulsa.
Eros granito,
Cor evanescente e memória carcomendo a palma.
Ela vem de antes das gentes
Antes de réptil, de pássaro, peixe.
De antes das espécies, antes mesmo da vida.
Antes do antes do tempo.
Se decido atira- la mais uma vez,
Impossível calcular a parábola
Desse projétil.
Acerta acarinhando? Fere quando canta? É estilhaço esse meu acalanto ?
Quereria somente assoprar um segredo
Ao teu ouvido
Sem alarido,
sem assombro, sem tremor.
Há algo de eterno nas pedras
E esse cristal,
Como se pássaro vivo fosse,
Ameaça teu sono.
Ouves já seu repique na vidraça da manhã?
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