segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Poema dos olhos de um verde impreciso 2- Perigo

 As sereias tímidas que moram nos seus olhos

não sabem ainda que sabem cantar.

Desavisadas,

 me convidam a naufrágios,

sem dar por isso.


Sigo então a lição do poeta:

enquanto você canta,

me amarro ao mastro,

tapo os ouvidos com cera de abelha.

Não vou submergir.

Não desejo me afogar.


Mas seu canto, avesso de farol,

Iris de um verde impreciso,

me afasta da terra.

 Vozerio de espuma, melopeia de brisa, cantilena que empurra

minha embarcação para o alto mar.

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