As sereias tímidas que moram nos seus olhos
não sabem ainda que sabem cantar.
Desavisadas,
me convidam a naufrágios,
sem dar por isso.
Sigo então a lição do poeta:
enquanto você canta,
me amarro ao mastro,
tapo os ouvidos com cera de abelha.
Não vou submergir.
Não desejo me afogar.
Mas seu canto, avesso de farol,
Iris de um verde impreciso,
me afasta da terra.
Vozerio de espuma, melopeia de brisa, cantilena que empurra
minha embarcação para o alto mar.
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